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O que é o magnetismo pessoal
Já lhe aconteceu encontrar pessoas cuja simples proximidade o fazia sentir-se diferente?
O magnetismo pessoal é uma das melhores qualidades que se pode ter: uma expressão autêntica da sua presença interior. “Quem já encontrou pessoas magnéticas sabe que é uma coisa absolutamente natural. Uma pessoa magnética sente-se logo, naturalmente: há como que um fluxo, uma força”. Quando estamos perante um indivíduo dotado desta qualidade, percebemos imediatamente um impacto que vai muito além das palavras ou da linguagem corporal convencional. É uma experiência direta, difícil de traduzir em termos puramente racionais, mas inegável no nível percetual.
As descrições de quem experiencia este fenómeno são surpreendentemente uniformes e concentram-se em sensações físicas tangíveis. “As pessoas dizem: sentia um efeito, sentia um fluxo, sentia um impacto… sente-se mesmo uma energia”. Estes testemunhos confirmam como o magnetismo opera num nível percetual imediato, em que a energia e o fluxo entre os indivíduos se tornam a forma primária de comunicação. Reconhecer esta naturalidade é o primeiro passo para abandonar a ideia de que o magnetismo é uma faculdade esotérica reservada a poucos eleitos, compreendendo, em vez disso, que se trata de uma potencialidade inerente à biologia humana.
Um mistério documentado ao longo dos séculos
O magnetismo pessoal está envolto numa aura de mistério comprovada por séculos de literatura, observações e práticas documentadas. Já no Renascimento, Marsilio Ficino descrevia os “espíritos” que passam pelo olhar, um conceito depois retomado por Heinrich Cornelius Agrippa de Nettesheim e, mais tarde, pelos magnetistas do século XIX. Como sublinha o historiador e sociólogo Bertrand Méheust (EPHE), o magnetismo animal produziu um corpus documentado mais vasto do que o que foi preservado pela hipnologia oficial. Na sua obra *Somnambulisme et médiumnité* (1999), Méheust destaca como a marginalização destas práticas não foi uma verdadeira refutação científica (“le procès en question n’a jamais eu lieu”, escreve em *Devenez savants*, 2004). Sobre as tradicionais “passes” magnéticas, o próprio Méheust admite a este respeito: “Je l’ignore mais le processus est bien réel”.
A literatura histórica atribui grande importância à higiene do magnetizador, entendida como disciplina rigorosa e cuidado das suas condições interiores. Uma higiene que o Dr. Paret sintetiza com um antigo e sábio preceito: “Tudo verdadeiro, porém sem excessos: est modus in rebus, como diziam os latinos”. Os textos da época sublinhavam como o magnetizador deveria manter um estado de pureza e concentração para evitar esgotar as suas forças vitais.
Magnetizar para curar é socorrer com a própria vida, com o próprio fluido vital ou magnético, a vida que falta a um ser que sofre. Daí as precauções que o Magnetizador deve tomar para evitar ganhar, para não contrair o mal que ele remove, etc.[1]
Esta visão histórica lembra-nos que a ação magnética implicava um envolvimento total da pessoa, em que a vontade e o fluido vital eram instrumentos de cura. A higiene de vida era considerada essencial para manter intacta esta força interior.
O verdadeiro ascetismo consiste em submeter-se a uma disciplina e em reprimir as emoções, as ações e os pensamentos desordenados. Na verdade, quem é escravo da sua alma animal praticará o vício mesmo num deserto; enquanto se controla…[2]
A disciplina interior era, portanto, o requisito fundamental para desenvolver e manter o magnetismo, um conceito que permanece central também nas abordagens contemporâneas da escola ISI-CNV.
A base está no corpo: a neurologia do magnetismo
Falsa segurança e verdadeiro carisma
No mundo empresarial e da formação, confunde-se frequentemente o magnetismo com atitudes exteriores de segurança ou assertividade. “O magnetismo pessoal nasce de dentro. Em muitos cursos empresariais ensinam atitudes externas às quais não corresponde um verdadeiro carisma interno. E a maior parte da autoconfiança que vejo à minha volta é falsa segurança: a verdadeira apoia-se numa base forte no parassimpático, não precisa da ação para existir — a ação acompanha-a naturalmente. Há mesmo uma neurologia particular”. A verdadeira segurança magnética assenta num estado de calma neurovegetativa, alcançando um equilíbrio que não precisa de forçar nem de máscaras sociais para se manifestar.
A teoria polivagal e a perceção inconsciente
Esta “neurologia particular” encontra um sólido respaldo na perspetiva neurocientífica contemporânea, nomeadamente na teoria polivagal de Stephen Porges. Segundo esta perspetiva, um estado de segurança neurovegetativa (parassimpático) é percebido inconscientemente pelos outros através de uma complexa rede de sinais não verbais. Estudos sobre o contacto ocular (Hirsch 2017, Koike 2019) e sobre a sincronização interpessoal confirmam a pertinência destes fenómenos fisiológicos, embora algumas dinâmicas mais subtis pareçam necessitar de investigação adicional. “Não há um único elemento: a congruência do movimento, a respiração mais lenta, muitos outros. Mas nenhum, por si só, é o sinal: o sinal é algo que a nossa mente inconsciente capta. A perceção ocorre ao nível da mente inconsciente”. O nosso sistema nervoso está constantemente envolvido numa “neuroceção” de segurança ou perigo, e uma pessoa em estado parassimpático é imediatamente percebida como um elemento seguro e atrativo no contexto social.
A passagem dos pensamentos para o corpo
A transformação dos alunos que se aproximam destas práticas passa por uma mudança de estado fundamental e imediata. “Acontece muito simplesmente: a pessoa sai dos seus pensamentos — os pensamentos são pouco magnéticos — e entra na sua perceção física. A perceção física é muito mais magnética”. Deslocar a atenção da mente discursiva e ansiosa para o corpo permite aceder àquele estado de presença que gera o verdadeiro magnetismo. Os pensamentos, especialmente os ligados à preocupação ou ao julgamento, fragmentam a atenção e reduzem o impacto pessoal; o corpo, por outro lado, quando percebido na sua totalidade, torna-se um veículo poderoso de comunicação não verbal.
Como se desenvolve: o segredo revelado
O desenvolvimento do magnetismo pessoal baseia-se em princípios acessíveis, mas exige uma prática constante e uma mudança radical de perspetiva. O primeiro segredo a revelar diz respeito à transferência imediata da atenção. “Saia dos pensamentos e fique no corpo: amplie o olhar, preste atenção às suas sensações e aos pés no chão — já terá mais magnetismo”. Este exercício, acessível a qualquer pessoa em qualquer momento, desloca instantaneamente o centro de gravidade da mente para o corpo, ativando este estado de presença que é a base de qualquer fluxo magnético. Ampliar o olhar, em particular, estimula a visão periférica, que a nível neurológico está ligada à ativação do sistema parassimpático e à redução do stress.
O erro típico que impede o desenvolvimento desta qualidade é o excesso de análise racional durante as interações. “Em vez de pensar na situação, tente estar na situação”. Estar na situação significa abandonar o monólogo interior, a constante avaliação do que dizer ou como agir, para se abrir à perceção direta do momento presente. Quando a atenção está totalmente absorvida pela experiência sensorial atual, o magnetismo emerge espontaneamente.
Um exercício prático para começar o dia em estado magnético é o seguinte. “Olhar aberto, sinta os pés assentes no chão, inspire e espreguiçe-se: a perceção do mundo já muda”. Esta simples sequência física desperta a consciência corporal, ativa a respiração diafragmática e prepara o sistema nervoso para as interações sociais com uma base de calma e presença.
O magnetismo na relação
Nas dinâmicas relacionais, o magnetismo pessoal subverte as dinâmicas habituais de força e persuasão. “Quando começa a decidir estar mais presente, a aumentar o magnetismo pessoal, numa negociação vê que o outro é como que levado a falar mais, a tentar convencê-lo: não é você que quer convencer, é o outro que tenta convencê-lo. E se o outro tenta convencê-lo, já está numa posição vencedora”. A presença magnética cria um vazio percetual que o interlocutor procura instintivamente preencher, conferindo ao magnetizador uma posição de escuta ativa e poderosa. Não se trata de impor a própria vontade, mas de tornar-se um ponto de ancoragem tão sólido que atrai naturalmente a atenção alheia.
A literatura magnética histórica confirma o papel central do olhar e da vontade na relação de influência, elementos que a moderna fascinação hipnótica retomou e sistematizou.
Quando se fez cair uma vez uma pessoa no sono magnético, não se tem sempre necessidade de recorrer ao contacto e aos passes para a magnetizar de novo. O olhar do magnetizador, a sua só vontade têm sobre ela a mesma influência.[3]
A vontade do magnetizador. A vontade do magnetizador parece ser a causa primeira da manifestação dos fenómenos. Os sinais exteriores não são senão acessórios. Os primeiros indícios da ação magnética são: o bater das pálpebras…[4]
Estes textos demonstram como a ação magnética relacional se funda em elementos invisíveis mas potentíssimos, em que a intenção interior supera a mera técnica. “Quem desenvolve presença desenvolve automaticamente também o magnetismo pessoal; a presença, porém, vai além do magnetismo, que é normalmente entendido em relação com os outros”. A presença torna-se assim o fundamento sobre o qual se constroem as competências de hipnose não verbal e de hipnose com o olhar, criando uma ligação profunda que precede a linguagem verbal.
Dos mestres à escola
A escola ISI-CNV do Dr. Marco Paret insere-se numa linhagem histórica que tem as suas raízes nos mestres do passado, unindo conhecimentos antigos a metodologias modernas. “Que é preciso partir de lá — do interior — para desenvolver a força”. Este princípio, herdado de figuras de destaque como Virgilio, Di Pisa e de Giudicelli, guia toda a abordagem didática da escola. O magnetismo não é considerado um acréscimo exterior ou um truque comportamental, mas uma manifestação natural da própria interioridade quando esta é alinhada e disciplinada.
Face às diversas explicações teóricas sobre o magnetismo, a abordagem da escola permanece profundamente pragmática e experiencial. “Do ponto de vista subjetivo é bom fazer como se fossem todas estas coisas juntas. Se alguém quer desenvolver o magnetismo pessoal, é bom que parta de si mesmo”. As explicações energéticas, não verbais e neurofisiológicas coexistem num pluralismo epistémico que deixa a porta aberta à investigação e à experiência direta. Os percursos de formação ISI-CNV integram estas visões, oferecendo ferramentas práticas como o Mesmerismus®, para permitir a cada um experimentar em si mesmo a realidade destes fenómenos.
Perguntas frequentes
É possível perder o magnetismo pessoal?
“Se se deixa levar pelos pensamentos, pelas preocupações, é óbvio que perde magnetismo pessoal”. O magnetismo é um estado de presença que exige alinhamento corporal e atenção ao momento presente; abandonar este estado para se refugiar na ansiedade, nas memórias ou no diálogo interior desliga imediatamente o fluxo energético e percetual.
Qual é a diferença entre magnetismo e autoconfiança?
A autoconfiança comummente ensinada em cursos corporativos baseia-se em posturas, tom de voz e atitudes exteriores, enquanto o magnetismo nasce de dentro. Apoia-se numa forte base no sistema nervoso parassimpático, gerando uma calma profunda que não precisa de forçar a ação para existir, mas a acompanha naturalmente.
Existem bases científicas para o magnetismo?
A base parassimpática do carisma liga-se à teoria polivagal de Porges e aos estudos sobre sincronização interpessoal e contacto visual. No entanto, dada a complexidade e a multidimensionalidade do fenómeno, seria útil uma investigação adicional para explorar todas as dimensões percetuais e energéticas documentadas.
O magnetismo é uma prática terapêutica?
As técnicas e os exercícios descritos nesta página têm finalidade de formação e de desenvolvimento pessoal e não substituem de forma alguma o parecer ou o tratamento médico, psicológico ou de saúde profissional.
Quanto tempo é necessário para desenvolvê-lo?
O primeiro passo é imediato: saindo dos pensamentos e deslocando a atenção para a perceção física, aos pés no chão e ao olhar aberto, obtém-se já um maior magnetismo. A estabilização deste estado na vida quotidiana exige, por sua vez, uma prática constante para integrar a presença em cada ação.
A investigação futura e a experiência de campo abrem cenários fascinantes sobre a natureza profunda do magnetismo e das interações humanas. “As pessoas sincronizam-se, quase telepaticamente: no momento em que uma pessoa trabalha nesta ideia, é como se a intenção se tornasse realidade”. Neste espaço de presença e alinhamento corporal, a intenção deixa de ser um simples pensamento abstrato para se transformar numa realidade tangível, percebida e partilhada por quem nos rodeia. O magnetismo pessoal revela-se assim não apenas como uma ferramenta de comunicação ou influência, mas como um caminho para aceder a uma dimensão mais autêntica e relacional do ser humano.
O magnetismo pessoal pode ser usado para problemas de saúde?
O magnetismo pessoal é uma qualidade relacional e uma ferramenta de desenvolvimento pessoal. Para questões de saúde e patologias, é necessário recorrer a profissionais de saúde habilitados.
[1] Joly, Abbé, «Lettre de l’abbé Joly» (francês). [2] Sabellicus, Jorg, «Iniziazione all’alta magia» (italiano). [3] Guidi, F., «Vérités magnétiques» (francês). [4] Frere, M. l’Abbé, «Examen du magnétisme animal» (francês).
Leitura recomendada: Entrevista com o Dr. Paret sobre magnetismo pessoal — 15 perguntas e respostas.
Aprofundamento: Rapport magnético: o que é, como se cria e os segredos revelados.
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